Estou farta das tuas desculpas, do que te acontece e que constantemente te atrasa e te impede de comparecer aos compromissos. Como é que é possível que todos os dias haja mais um imprevisto, mais um contratempo, mais uma emergência? Não podes ter mais problemas do que toda a gente. Gere o teu tempo, estabelece prioridades. Dá-me valor. Por que é que tudo passa à minha frente? Se havia algo combinado, deixa de estar, pode ser adiado. Fica para amanhã. Faz-se depois. Pode esperar. E eu? E se isto, para mim, for a prioridade? E se me estiveres a prejudicar? Preocupas-te? Penso que não. Tens sempre uma desculpa, é incrível. Quase parece que te rogaram uma praga. Se é o trânsito, porque não te levantas mais cedo? Se são as tarefas domésticas, por que não as fazes antes ou depois dos nossos encontros? Se tens outros deveres, porque não organizas o teu tempo? Alguma vez me perguntaste como é a minha vida quando não estou contigo? Sabes do que tenho de abdicar? Por que não fazes o mesmo sacrifício? Por que tenho de ser sempre eu a ceder? Estou farta deste egoísmo, deste egocentrismo, de achares que a tua vida é sempre tão mais importante, tão mais complicada. És uma lutadora, uma vencedora, és fantástica. Resolves tudo, ajudas todos, és a bombeira. Devo idolatrar-te e não criticar-te. Pois. Estou farta!
Thursday, 19 April 2007
Estou farta do tempo que me obrigam a esperar - estou na base da cadeia hierárquica, na minha área profissional, e não tenho voz para reclamar. Comer e calar. Comer e calar. Comer e calar. Que nervos! Irrita-me este desperdício! Só consigo pensar em tudo o que poderia ter feito naquele espaço de tempo e não fiz. Perdi quase uma hora, hoje, à tua espera. Uma hora! Parada, à espera, a deixar a vida passar sem a agarrar. Estou farta de engolir esta falta de respeito - nem um pedido de desculpas ouvi. Tudo isto para te ir fazer um favor. O interesse era só teu. Devias ter tido mais cuidado, mais atenção. Andas sempre a correr, já sei. Tens imensas coisas para fazer, pois é. Mas eu também. A minha vida também conta. Estou farta!
Porquê?
Irrito-me com bastante facilidade - penso que com mais facilidade do que a maioria das pessoas. Sei controlar-me e guardar para mim o meu estado de nervos e a minha vontade de gritar ou espernear. Consigo aguentar até estar sozinha para, sem qualquer tipo de censura, libertar toda a frustração e a raiva que sinto. Mas, mesmo assim, não chega. Apetece-me dizer em voz alta, poder falar no momento em que a tensão começa a subir e fazer alguma coisa para que o motivo da minha irritação não mais se volte a repetir. Infelizmente, não posso. Ou posso, mas não devo. Quanto mais não seja, porque o facto de estar farta pode ser um defeito meu e não dos estímulos que me fazem sentir farta. A necessidade de mudar pode estar em mim e não no exterior. Criei este blog com um intuito apenas terapêutico - o de poder assumir a um nível semi-público todas as coisas que recuso dizer de forma directa e frontal, de forma a poder tirar algum peso de cima dos ombros à medida que for desabafando. Resultará? Não sei. É preciso experimentar. Haverá tanta coisa que me deixe farta a ponto de poder ser a única substância de um blog? Talvez. Quanto tempo escreverei? Enquanto tiver paciência. Vamos lá ver como corre.
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